sábado, 31 de março de 2012

Google Maps 8 bits

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Já é 1º de abril no Japão e a Google saiu na dianteira com aquela que promete ser uma das melhores pegadinhas do ano. A empresa liberou um vídeo onde anuncia, de forma muito séria, o lançamento de um produto para o NES (o famoso Nintendinho) que nada mais é do que um cartucho com conexão de internet que roda uma versão 8 bits do Google Maps!


A brincadeira tem direito até ao uso do obscuro Controller 2-Mic, um joystick que eu particularmente só conheci recentemente, através de blogs retro gamers, e cuja fama não é lá muito boa. (pra começar, imagine que o microfone só existe no joystick para o player 2...)

Ah, e mais um detalhe: vá AGORA para a página do Google Maps, faça uma busca por um endereço qualquer (que tal o da sua casa, local de estudo ou trabalho?) e clique na opção de visualização "Missão", no canto esquerdo superior do mapa. Pronto! Você poderá consultar o Maps no estilo "mundinho de RPG das antigas". ;)

Enfim, se não fosse o fato de - certamente - ser uma tremenda piada, seria bacana de ver isso, não? O que vocês acham?

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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Vai em paz, Chico

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Por Rafael Martins


25 de março. 0h35 de um domingo. Abro meu e-mail e vejo que um amigo me pede para escrever sobre Chico Anysio. De imediato penso em fazer uma pesquisa mais a fundo: nome completo, cidade onde nasceu, lugares onde trabalhou...

Nada disso no entanto comporia a imagem de Chico Anysio para mim!

Então, abro o editor de texto e vou assim, na cara e na coragem, falar de alguém que eu mal conheço mas que fez parte das fases mais importantes da minha vida.

Chico Anysio foi mais que o professor de uma escolinha! Ele foi “mais” principalmente porque conseguiu, por alguns momentos, ser só isso. O Professor Raimundo era alguém comum. Mais um educador com alunos diferentes, de universos diferentes, tentando ensinar a quem às vezes não queria aprender. E com um salário, ó...

Ainda assim o programa "Escolinha do Professor Raimundo" trouxe para as mentes de meninos como eu (naquela época...) um certo humor que faltava na escola. Um certo olhar crítico de quem pergunta com malícia e responde com sarcasmo para fazer rir. Um professor que ensinava aquilo que todos nascem sabendo e que alguns fazem questão de  esquecer. Um professor que ensinava como sorrir!

Mas Chico Anysio não era só o Professor Raimundo! Quem nunca disse a alguém que “jovem é outro papo” (isso fez sucesso até quando ninguém mais falava “papo”!)? Quem nunca ouviu dos pais um “É mentira Terta?” ao que se respondia “Verdade!”? Quem nunca olhou desconfiado para a tela (eu era ainda menino pequeno e me assustava com tudo que lembrasse um monstro) e ficou nervoso com Bento Carneiro, o VAMPIRO Brasileiro (tive medo, sem saber que aquele vampiro era quem dava sangue para que nós ríssemos)? Não,  Chico Anysio não foi só o Professor Raimundo!

Eu estava no trabalho quando a notícia chegou, “Morre o humorista  Chico Anysio”. Assim, sem mais nem menos. E eu lembro de pensar que naquele momento o Brasil seria um lugarzinho mais triste, que o próprio mundo havia perdido um pouquinho de cor. A morte não foi justa com Chico Anysio! Alguém que era tantos não deveria morrer uma vez só!

Chico era desse tipo (e olha que eu nunca sequer o vi pessoalmente pra dizer, mas tô aqui dizendo) que não se encontra em cada esquina, mas que se você procurasse bem e juntasse um pouquinho de cada esquina em que procurasse, encontraria um Chico completo.

Vou parar por aqui. Não quero chorar. Não seria justo chorar agora, aos 45 do segundo tempo, por alguém que me fez rir o jogo todo. Vou formatar o texto para envio e pensar em outra coisa (quem sabe até rir de alguma coisa). Afinal, Chico Anysio morreu, mas deixou vivos (ao menos em mim) uma infinidade de Chicos Anysios que nunca me perdoariam se eu chorasse.

Vai em paz meu velho. Se sua hora chegou é que Deus deve ter achado que o céu tava meio sem graça. Vai em paz. Obrigado e Boa sorte...


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Rafael Martins, mais conhecido entre os amigos como "O Doido", teve a infância que a infância de hoje merecia - e não tem. Corria, pulava e aprontava todo santo dia. É do tipo que serrava o gesso antes de regenerar a fratura. Sonhador por vocação, prefere uma mentira que faça rir a uma verdade que faça chorar, assim como o vento em seu rosto e nenhum chão sob seus pés. E é o amigo mais leal que um sujeito pode ter.


[Sim, ele confiou a minha pessoa o textículo de apresentação dele. Algum problema? :) ]


PS: o texto atrasou por culpa minha, que não fechei logo a edição. Peço desculpas, tanto a Martins como aos leitores do Caixa da Memória.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Jure fidelidade a uma das grandes casas e parta pra Guerra dos Tronos!

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A HBO (ixperta!) tem promovido através de vários teasers a segunda temporada da aclamada Game of Thrones, seriado que adapta as Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, para a TV. Depois de quase um ano esperando, os fãs já se encontram sedentos por mais intrigas, mais lutas, mais sexo e mais mistérios na nova temporada.

Os vídeos mais recentes de Game of Thrones convocam a audiência a jurar fidelidade a uma das casas nobres de Westeros, escolhendo o lado que quer defender na guerra. Stark, Lannister, Targaryen, Baratheon e Greyjoy, as cinco famílias mais poderosas, cada uma lutando pelos seus interesses na conquista do Trono de Ferro.

Confiram os vídeos abaixo e jurem fidelidade a uma das grandes casas nessa guerra!

Stark

Baratheon

Lannister

Targaryen

Greyjoy

Empolgados? Que é isso, nem um pouco! #mentira
Ah, e sou Stark até o fim! O inverno está chegando!

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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

Trailer (fuderoso!) de Avacyn Restored

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A próxima coleção de Magic está prestes a sair. Chama-se Avacyn Restored e junto com Innistrad e Ascensão das Trevas (Dark Ascension), fecha o bloco Innistrad.

Em Avacyn Restored, o anjo Avacyn, criado pelo planinauta Sorin Markhov para proteger os humanos de seu plano natal da fúria de seus parentes vampiros, é libertada de Helvault (Câmara Infernal), o que traz uma onda de esperança aos que lutam por sobrevivência naquele mundo. O problema é que com a destruição da Câmara, também foi libertado o maior inimigo de Avacyn, Griselbrand. Todos os acontecimentos são parte do plano de vingança da planinauta Liliana Vess, que está à caça de Griselbrand para se livrar de um pacto antigo.

Além de dar um gostinho da história por trás do jogo e de fazer a passagem entre os sets do bloco, o trailer também traz muitas artes que farão parte da nova coleção. E estão belíssimas, por sinal! Muito anjos, Liliana aparecendo em pelo menos dois ou três cards e a sensação que os humanos de Innistrad podem contar novamente com o poder da fé para combater as hordas de zumbis, vampiros, geists (espíritos) e lobisomens.

Confiram o vídeo e vejam o raiar da esperança sobre Innistrad.


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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Pré-venda de Espírito do Século

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Mais uma boa notícia para os roladores de dados espalhados pelo país. A Retropunk anunciou ontem o início da pré-venda de Espírito do Século, RPG que usa o sistema FATE e que já vinha sendo aguardado há algum tempo pela comunidade rpgista (não, não me acostumo ao termo rolista que Eduardo Caetano usa no seu ótimo Violentina, sorry).

Confiram a capa e o release liberados no site da editora.



Mas o que é Espírito do Século?

Espírito do Século é um jogo que une o pulp, escolhas rápidas e a representação, em um  mundo após a Grande Guerra (Primeira Guerra Mundial) ainda mais sombrio e repleto de perigos que poucos estão cientes.

Então, prepare-se para a luta do século!

Assuma sua posição como um Centurião do Clube do Século, por que...

Você não está sozinho!

Sombras se espalham pelo mundo desejando silenciar a esperança de um novo século que está lutando para sobreviver.

O tempo de agir é agora!

Porque o otimismo move as pessoas para algo melhor e a ciência pode melhorar as coisas. Assuma seu papel de herói e aja para mudar o mundo ao seu redor.

É o último século do segundo milênio e você é a última esperança da humanidade!

Agora é com você, Centurião!

Durante a pré-venda, ao comprar o Kit Centurião [sim, clique no link ao lado para comprar o seu!], você receberá em sua casa:

1x Livro Impresso
1x Livro em PDF
4x Dados Fudge [similares ao d6 comum, mas com símbolos ao invés de números - ver aqui]
10x Marcadores Exclusivos para usar como Ponto de Destino
1x Poster da Capa
1x Ficha de Personagem Matriz
De R$ 99,90 por R$ 80,00 (frete não incluso)

- X - X - X -

Bem, é isso. A capa final foi a grande surpresa, para mim. Havia uma outra capa sendo divulgada pela editora que era simplesmente horrível (confira aqui se estou exagerando...). Essa ficou muito boa, passando o conceito do jogo, apesar do traço simples da arte.

De minha parte, Guilherme Moraes, editor da RP, vai ter que esperar um pouco para ter os meus cobres na sua algibeira. Só no mês que vem terei condições financeiramente saudáveis para comprar meu Kit Centurião. #NãoTáFácilPraNinguém

Contando com o breve lançamento de Space Dragon, da Redbox (cuja capa foi divulgada e comentada aqui no blog), serão dois títulos inspirados na literatura pulp em território nacional (três se você considerar o Inacreditáveis Casos Sobrenaturais, também da Retropunk, um suplemento para Rasto de Cthulhu). Seria um novo filão abrindo caminho no RPG nacional? Veremos.

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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

terça-feira, 13 de março de 2012

Capa de Space Dragon, próximo lançamento da Redbox Editora

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O próximo RPG que sairá pela Redbox promete mimar os fãs de ficção científica pulp, no melhor estilo Buck Rogers, Flash Gordon e congêneres. Space Dragon nada mais é que um hack (modificação nas regras) para Old Dragon, RPG de fantasia medieval clássica, lançado pela editora em 2010 e que pode ser considerado o marco de uma nova fase para o hobby no Brasil.

O estilo de Space Dragon trará para as mesas de jogo a emoção de campanhas no espaço sideral, aos modos dos quadrinhos pulp dos anos 40 e 50. Raças extraterrestres, exploração de planetas, naves e trajes espaciais retrô. Se você não saca nada do período, uma busca pelo personagens citados no parágrafo anterior já dará uma bela ideia do que se trata. (pra facilitar a sua vida, clique nesse link pra ter uma referência visual do tipo de campanha a que Space Dragon se destina). O livro está em fase de diagramação e tem pré-venda marcada para o dia 15/04.

A autoria é de Igor "Utarefson" Moreno, e a capa tem arte de Jorge Luis Torres e diagramação de Dan Ramos, da Redbox.


Opinião pessoal: a capa conseguiu superar e muito minhas expectativas. Lembra até um pouco as edições antigas da série de livros-jogos Aventuras Fantásticas. Conseguiu o toque retrô sem cair na breguice. Parabéns a Jorge Luis Torres e Dan Ramos, ficou dez! Agora, é esperar a pré-venda e garantir o meu. :D (e considerando as estratégias de lançamento de Old Dragon e The Shotgun Diaries, esse também deverá ter uma edição especial limitada, cheia de bônus)

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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Você gosta de hipsters? Jake Gyllenhall odeia

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Clip muito louco da The Shoes, banda pop francesa, com Jake Gyllenhaal como um psicopata que odeia hipsters (XD), como diria minha idolatrada Carol Almeida. Depois eu procuro mais sobre a banda e complemento esse post. (preguiça é uma m...)


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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

sexta-feira, 9 de março de 2012

"Chega... Hoje eu só apanhei feito corno... Chega!"

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Um de meus sonhos nerds é fazer uma redublagem, nível Tela Class*, de qualquer coisa. Filme, novela, seriado, desenho animado... Se um dia eu fizer uma, gostaria muito de alcançar a mesma qualidade que os caras da Invasores do Espaço conseguiram com CdZ Vai, Seiya!, paródia escrotíssima de Cavaleiros do Zodíaco!

Referências à cultura pop? Ok. Sátiras com o nosso querido país? Ok. Piadas infames com os personagens do desenho? Ok. Diversão garantida? Ok. Acho que até que nem curte animes vai rir pra caramba com os vídeos.

(Até porque não é todo dia que o Mestre do Santuário tem voz de Sílvio Santos e Shina é um traveco apaixonado por Seiya...)

Essa putaria brincadeira já tem três episódios. Para acompanhar, assine o canal do Invasores do Espaço no YouTube ou diretamente pela seção do CdZ Vai, Seiya! no site dos caras (http://www.invasoresdoespaco.com.br/category/vaiseiya/).

Fiquem com o primeiro episódio, pra viciar. =D


*Porra, num sabe o que é Tela Class? Então toma no teu...

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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

terça-feira, 6 de março de 2012

[Psicotrópicas] Tratado Ornitológico de Arte

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O bico de pavão não combinava com seu estilo. Queria ter o bico longo das pernaltas. Seria mais fácil pintar assim. Depois de terminada a tela, passou os dedos pela pintura. As cores misturavam-se, sinuosas. Odiava ter dedos magros e longos, como patas de aranha. Queria ter as mãos fortes de um urso. Mas logo desfez o muxoxo. O quadro estava quase pronto, faltava algo que ele não sabia o quê. Olhou pela janela, um céu azul de nuvens gordas e alvas, desfilando ao ritmo do vento sul. Entre elas, dançavam sinuosamente aves-do-paraíso, numa miríade de cores e formas deslumbrantes. De longe vinham misturados os cantos de rouxinóis e canários, o grito das águias e o tagarelar cortante dos corvos.

Ele via – e ouvia – a beleza que vinha de fora, mas era dentro de seu estúdio que queria buscar a verdadeira beleza. Não conseguia entender porque a sua obra permanecia incompleta. Perturbava-lhe a busca por uma beleza que viesse de si mesmo, mas que ele também pudesse contemplar. Almejava a possibilidade de ser visto, exposto desnudamente, para todos que apreciassem sua arte. Na tela, as linhas, as texturas e as formas eram suaves e harmônicas. As cores eram fortes, violentos contrastes que faziam a tela sangrar e gritar o pedido último: “Acabe-me”.

Mas como acabar aquela tela? Como fazer chegar aos olhos dos futuros admiradores uma beleza que represente tudo que há dentro do artista? A pergunta, antes martelando em sua cabeça como um ferreiro a maltratar o aço, dissolveu-se de repente. Mas é claro, a resposta era óbvia! Como bom pavão, ele nunca olhou para as próprias penas – dizem ser de mal agouro esta tentativa, haja visto o poder hipnótico delas. A cauda, aquele leque imenso e brilhante, centenas de olhos a mirar um objetivo, geralmente a indefesa fêmea, que nada pode fazer a não ser dançar os passos daquela dança narcótica.

Ele contemplou pela primeira vez a própria cauda, a beleza de um arco-íris. Chacoalhou as penas e o efeito é ampliado: o jorro de luz que saiu delas parece inundar o ambiente inteiro, rivalizando com o sol que entra pelas janelas. Percebeu que a solução para seu dilema artístico estava bem perto dele, o tempo todo. E então, começou o sacrifício.

Uma por uma, arrancou todas as penas da cauda, todas elas. E com tinta, fixou-as na tela. A pintura virou outra coisa. E a epifania começou. A cada pena arrancada, ele sentia mais e mais prazer pela proximidade de seu objetivo: a verdadeira beleza que dele emanava poderia ser transmitida ao quadro. Afinal, como não conseguir isso colocando-se tão plenamente no quadro? Depois de arrancar todas elas, arfou por vários minutos, a dor ainda intensa em seu corpo. O mesmo leque que as penas antes faziam em sua cauda estava agora na tela, misturado fimbriamente com as tintas. Vermelho-sangue, amarelo-ouro, verde-limão, azul-celeste. E outras cores tantas que, de tão misturadas, viravam outra coisa, não mais se reconheciam.

Mesmo depois de toda a dor, parecia a ele que o trabalho ainda precisava de finalização. Mas o que faltava? Pensou por muitos minutos diante da teimosa obra. Ali estava o seu esforço, a sua genialidade, o seu sangue – literalmente. Eis que quase uma hora e meia de agonia depois, ele teve um lampejo: ele deveria ser capaz de contemplar a beleza verdadeira. Mas para isso, ele teria que fazer parte dela. Ele teria que ver a aqueles que o encarariam naquele quadro. Enfim, expor-se mais do que ele já tinha feito até aquele momento. Achou seriamente que se pudesse encarar seus admiradores, ele teria o dom, a benção de conhecer a verdadeira beleza, pois estaria imerso nela e saberia, pela reação de seus admiradores, o significado de tudo aquilo. Ele era a verdadeira beleza. Mas não se conhecia. E essa brecha em sua alma fez com que tomasse uma decisão difícil e sem retorno. Deitou-se sobre a tela, inclinada levemente para o que decidira fazer, e arrancou a própria cabeça num só golpe.

Deixou-a entre as penas que já ali se encontravam. O resto de seu corpo escorreu para o chão em espasmos violentos. Sua cabeça, no entanto, jazia plácida, mirando para um infinito particular, sonhando glórias de mundos inteiros ajoelhando-se diante de sua obra em reconhecimento à beleza infinitesimal que teriam diante de si.

Lá fora, o céu começava a escurecer, os pássaros se recolhiam aos seus ninhos. E apenas à noite, a mãe do artista desceu e encontrou o filho morto. Soltou um grito que rasgou a noite e logo corvos, corujas e aves de rapina estavam a rondar a casa. Era hora do jantar e a refeição esfriava à rodo. E a mãe, coruja, tratava de cuidar do filhinho.

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domingo, 4 de março de 2012

[Deu na Mídia] 14 anos depois, Super Nintendo vai ganhar lançamento de jogo inédito

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Texto publicado no site Olhar Digital, seção Jovem, no dia 29/02/2012

Equipe quer trazer o clássico retrô dos anos 90 para os tempos atuais. Lançamento do game está previsto para 2013 e será vendido a US$ 60



Quem não se lembra do Super Nintendo (também conhecido como SNES), considerado um dos melhores videogames de toda a história? O console, criado pela japonesa Nintendo, foi lançado em 1990 e vendeu mais de 50 milhões de unidades em todo o mundo. Entre os títulos mais famosos do brinquedo, estavam Super Mario World, F-Zero, Mega Men, Donkey Kong e tantos outros que fizeram a alegria da garotada.

Após render bilhões de dólares à Nintendo e tornar o mercado dos videogames ainda mais popular em todo o planeta, o aparelho teve suas vendas encerradas em 1999. Mas uma boa notícia pode animar aqueles que ainda possuem o console: uma equipe de produção chamada Super Fighter Team anunciou que está desenvolvendo um game para o Super Nintendo, 14 anos depois do último jogo ter sido lançado para o SNES - um remake de "Frogger", em 1998.

O grupo de produtores afirma que quer reviver o clássico retrô da época e aumentar o divertimento das pessoas, e não criar novidades que sejam apenas voltadas para o arrecadamento massivo de dinheiro.


"A Super Fighter Team foi criada pelo sonho de que uma nova vida pode ainda respirar nos videogames, computadores e sistemas abandonados pela indústria de jogos. Por esta razão, nós orgulhosamente oferecemos o que pode ser a única fonte do mundo de novos jogos para plataformas como Sega Genesis e Atari Lynkx", declararam os criadores.

O nome do game será "Nightmare Busters", uma espécie de jogo de tiro com muita correria. O lançamento está previsto para o ano que vem, mas a pré-venda já começou: o título será vendido por US$ 60, com um limite de 600 cópias. Mas isso é tempo suficiente para você encontrar um Super Nintendo que ainda funcione e comprá-lo por um preço mais barato que um simples joystick dos consoles da geração atual.


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Bônus:
-Página do jogo no site da Super Fighter Team

sábado, 3 de março de 2012

A Dama de Ferro - Porque até Margaret Tatcher sangra

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O talento de Meryl Streep e a coragem de humanizar uma das personalidades mais importantes do fim do século XX fazem filme morno, mas que emociona




Escolher como personagem de um filme a famigerada primeira-ministra britânica, que ficou no poder de 1979 a 1990, período extremamente conturbado para a Inglaterra e para o mundo, foi no mínimo um ato de coragem da diretora Phyllida Lloyd. Só para lembrar, Margaret Thatcher sobe ao poder bem no ano em que as rebarbas da crise do petróleo ainda assombravam economias mundo afora, quebrando as mais desavisadas. Por si só, contar a história dessa personagem já seria um desafio. Afinal, Thatcher foi uma das figuras chaves dos últimos suspiros do velho século XX, aquele onde a Guerra Fria ainda dava muito pano pra manga.


E Phyllida revela a coragem necessária ao mostrar uma Margaret Thatcher envelhecida, perturbada pelos fantasmas da própria cabeça, tão inocente quanto aquela sua avó que faz um quitute todo domingo para reunir a família. Simultaneamente, retrata a mesma Margaret Thatcher pelo modo como ficou conhecida pela história, como a Dama de Ferro, alguém que, inserida numa sociedade vulgarmente machista, lutou muito para ter o respeito e o poder necessários para assumir o cargo que lhe fez a fama.


Já é mais do que óbvio, especialmente pós-Oscar, que A Dama de Ferro (The Iron Lady, ING/FRA, 2011) se sustenta na impecável interpretação de Meryl Streep na personagem título. É ela quem torna Thatcher uma figura humana, que sofre a cada lembrança mais dura do passado e que luta contra a própria degeneração mental, que se manifesta no "fantasma" do marido, interpretado por Jim Broadbent (o Slughorn, de Harry Potter, e vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante por Iris).


Um dos momentos mais tensos do filme,
onde Meryl Streep dá um verdadeiro show


Porém, mesmo fazendo Meryl Streep de muleta, A Dama de Ferro apresenta muito pouco do que poderia fazer. A narrativa é muito fragmentada, com lacunas que deixam o espectador curioso ou mesmo perdido. O filme deixa a clareza de lado em muitos pontos, e acaba fazendo a figura de Thatcher uma colcha de retalhos tão perdida quanto a senhora que se vê na tela. Talvez a intenção da diretora tenha sido dar ao público esse ar de confusão mental que a personagem sofre. Se essa foi a intenção, o máximo que ela consegue é tornar o filme confuso e lento. A Dama de Ferro não consegue ser nem mesmo didático, pois os fatos históricos relativos à personagem são tratados muito por cima.


Não que isso fosse esperado. Humanizar Thatcher, colocá-la como uma pessoa fragilizada pela idade, já implicava escolhas no roteiro e na direção que comprometeriam o filme de alguma forma. Mas chega a ser incômodo ver uma personagem que tem tanta história, literalmente, ser subaproveitada. Uma pena. Meryl Streep saiu oscarizada, mas Margaret Thatcher perdeu um pouco do seu impacto.


A Dama de Ferro
Nota: 6.5/10





Indicações ao Oscar 2012: 2 - melhor atriz (Meryl Streep) e maquiagem
Ganhou: 2


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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.